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14May/120

As 2 Leis de Borba – Parte 2 – Sua aplicação a modelos de negócios

No primeiro post desta série, enunciei as 2 Leis de Borba para Arquitetura de Software, neste post vamos ver como essas leis se aplicam a modelos de negócios.

Primeira Lei de Borba para Modelos de Negócio: "Todo Modelo de Negócio está Errado."

Um modelo de negócio não vale nada enquanto está só no papel. Somente um negócio funcionando e gerando receita pode provar o valor do modelo. Não adianta passar meses elaborando o modelo mais maravilhoso do mundo, e apenas mostrar aos amigos. Enquanto não existir um negócio rodando e sendo usado por usuários (clientes) de verdade, você ainda estará na estaca zero.

Agora digamos que eu tenha lançado o meu produto, baseado em um modelo de negócios que foi desenvolvido utilizando as metodologias de Customer Development e Lean Startup e que conseguiu atingir o product/market fit e está gerando receita. Consegui finalmente provar que meu modelo de negócios funciona, porém neste caso se aplica a segunda lei...

Segunda Lei de Borba para Modelos de Negócio: "Todo Modelo de Negócio definido e que comprovadamente funciona, estará errado em breve"

Tudo muda o tempo todo. Pessoas mudam, usuários mudam, clientes mudam. Lembre-se que depois de lançado seu produto não é mais seu, é de seus usuários. Se você não conseguir adaptar seu sistemas às mudanças do ambiente, será extinto. A seleção natural de Darwin funciona aqui também.

Exemplos não faltam. Vejam por exemplo o que aconteceu com o Myspace, que era líder das redes sociais, mas foi exterminada pelo Facebook porque não soube se reinventar e lidar com o novo concorrente. Nokia, RIM e Yahoo são exemplos de empresas dominantes em outros tempos e que hoje estão atoladas em prejuízos com dificuldades para reagir.

O problema é ainda mais grave hoje, porque a frequencia de aparecimento de inovações disruptivas está aumentado a cada dia. Olhem esse gráfico que mostra a média de tempo de vida das 500 principais empresas do mundo.

As principais empresas do mundo estão cada vez mais jovens. As grandes empresas normalmente são mais pesadas para se mover, para se reinventar e estão sendo sucedidas por empresas novas, criativas e ágeis. Poucas grandes empresas conseguem se reinventar e permanecer relevantes, mas temos nobres exceções como a IBM e a Siemens.

A melhor forma de enfrentar esse tipo de situação é monitorar sempre o que está acontecendo, no seu empreendimento e no mercado.

Dicas:

  • Conheça seu cliente e seu mercado
  • Acompanhe de perto as mudanças e sempre procure inovar em seu segmento
  • Não tenha receio em canibalizar parte do seu negócio, as vezes é necessário
  • Mantenha sua empresa ágil

Esteja disposto e preparado a mudar sempre. Não seja um Dodô.

31Oct/113

O que aprendi no Startup Weekend

"No Talk, All Action. Launch a Startup in 54 hours"

Este é o lema do Startup Weekend, uma série de eventos promovido pela Kauffman Foundation que teve sua realização em Recife nos dias 21 a 23 de outubro. Eu estava lá... mas vamos ao que interessa. Qual a ideia do do evento?

Os inscritos fazem um pitch de suas ideias e depois há uma votação das melhores. Nesta fase, os autores das ideias aprovadas ficam livres para conversar com outros participantes e montar suas equipes. Depois das equipes montadas, é só trabalho. No último dia as equipes apresentam os resultados e o grupo de mentores elegem as 3 melhores. Um evento desta natureza, é ótimo para fazer networking, mas é ainda mais uma excelente oportunidade para APRENDER.

A primeira lição, foi como fazer pitches. Apresentei minha ideia para ser votada, tive que fazer a apresentação para todos em 1 minuto. Acho que a apresentação foi legal pelo menos para eu conseguir votos suficientes para ter a ideia selecionada, mas o desafio maior estava por vir. A montagem da equipe.

Uma coisa é você convencer alguém que tem uma ideia legal para ser realizada, mas para você convencer uma pessoa a se juntar com você para realizar o projeto, é muito mais dificil... De qualquer forma, fui conversando como o pessoal e aos poucos a equipe foi se formando. Conversei com 7 pessoas tentando vender meu peixe e consegui convencer 3. Taxa de conversão: 43%.  O time estava montado. No dia seguinte, consegui vender bem o meu projeto para ainda outra pessoa (que não compareceu no primeiro dia). Corrigindo a taxa de conversão: 50%.

Não sei ensinar como fazer um bom pitch. Até porque nem sei se eu sei fazer, mas uma lição que tive na prática é que você tem que ser OBJETIVO. Não gaste o tempo dos outros, as pessoas não estão dispostas a ouvir seu bla bla bla porque tem que escutar outros e decidir rápido, então vá direto ao ponto. Apresente suas ideias de forma CLARA. E não fique frustrado se não conseguiu convencer alguma pessoa. Simplesmente tente de novo.

Outra lição interessante é sobre a forma de trabalho. É absolutamente impressionante o que se consegue fazer com um grupo coeso, trabalhando junto, focado em um objetivo comum e concentrado no trabalho. A produtividade neste ambiente é BEM MAIOR do que em nosso dia dia no nosso trabalho. Fico imaginando que tipo de mudança precisamos implementar em nosso ambiente de trabalho para conseguir uma produtividade semelhante.

No final do segundo dia (e bote final nisso... fui até 2:30) conseguimos atingir nosso objetivo de construir um MVP para validar nossa ideia. E dessa experiência foi que veio a lição mais interessante.

O MVP quase sempre pode ser muito menor e simples de fazer do que você pensa. No final do segundo dia, percebemos que podíamos elaborar nossa validação apenas utilizando html estático, sem a necessidade de escrever nenhum software. Mas aí já era tarde, já estava quase pronto. Esse tipo de situação é mais comum na cabeça de engenheiro. Devemos tomar cuidado.

Quero dar meus parabéns aos organizadores do evento e um especial agradecimento ao time que colocou no ar a primeiro experimento do Instamarker:

  • Emiliano Abad
  • Henrique Barbalho
  • Matheus Mendonça
  • Milton Castro
OBRIGADO PELA DIVERSÃO!

8Jun/114

Como criar uma startup: Capítulo 5 – Customer Development e Lean Startup

Este é o quinto e último post da série "Como vou criar uma startup". Para entender e aproveitar melhor, é interessante ler os posts na sequência:

 


Capítulo 5 - Customer Development e Lean Startup

No último capítulo, mostrei algumas lições que tinha aprendido estudando sobre startups e que sentia que havia algumas peças faltando para montar esse quebra-cabeças. Ao encontrar material falando sobre Customer Development e Lean Startup, eu descobri o que faltava.

"Startup é uma organização formada para a procura de um modelo de negócio replicável e escalável" (Steve Blank)

Steve Blank é um empreendedor em série. Ao longo de sua vida ele fundou/participou de 8 empresas. Hoje ele é professor, ensinando empreendedorismo em várias universidades.

No alto da sua experiência, Steve observou que a maioria das empresas falhavam não por falta de tecnologia e sim por falta de clientes. Percebendo isto e sabendo que temos metodologias para desenvolvimento de software, por que não criar uma metodologia para desenvolvimento de clientes? Ele registrou a metodologia de Customer Development no livro "Four Steps for Epiphany" em 2005.

Os 4 passos citados no título são:

  • Customer Discovery - Nesta etapa, baseado em hipóteses que você acredita, você tenta descobrir que mercado você quer atingir. Quem são seus clientes.
  • Customer Validation - Na validação, você já tem alguma parte do produto pronta, algo que permita você validar a tese que foi criada no passo anterior. Caso sua hipótese não seja validada, volte ao primeiro passo, tente entender o que deu errado, o que fez os clientes não gostarem do seu produto. Reformule o seu plano para obter clientes e faça os ajustes do produto para atingir o novo objetivo.
  • Customer Creation - Aqui você já validou o produto criado, sabe quem são seus clientes e está pronto para o lançamento em grande escala da sua startup. O critério para sair do Customer Creation para o último passo é ultrapassar a barreira dos early adopters (leia Crossing the Chasm).
  • Company Building - Aqui você começa a ganhar escala. Neste momento, você deve construir uma empresa no sentido mais tradicional. Contratar pessoas, criar departamentos, etc.

Após começar a ler sobre Customer Development, as coisas foram ficando mais claras na minha cabeça. Claro que existe muitas formas de resolver esses problemas, mas essa metodologia combinava bem com minhas próprias convicções. Aí então, eu encontrei o Lean Startup.

"Startup é uma instituição humana projetada para entregar um novo produto ou serviço em condições de extrema incerteza" (Eric Ries)

A metodologia Lean Startup foi criada por Eric Ries, o empreendedor que está por detrás do IMVU. O seu trabalho é baseado em suas próprias experiências e fortemente influenciado pelo Customer Development de Steve Blank.

Criar uma Lean Startup implica em passar várias vezes por um loop de aprendizado.

A partir de uma ideia (IDEAS) você constrói (BUILD) um produto (CODE), mede os resultados (MEASURE) coletando dados (DATA) e finalmente aprende (LEARN) algumas lições. O que acontece é que tal qual o Customer Development, você precisa validar sua ideia inicial e normalmente você não vai acertar na mosca no primeiro ciclo. É quase certo que você precisará fazer ajustes. E se você perceber que a sua ideia está furada, você faz um PIVOT.

Um pivot é quando você muda o direcionamento do seu produto, mantendo-se fincado em parte da ideia que deu certo. Utilize o que você aprendeu na execução de um ciclo para realimentar outro ciclo. Podem ser pequenos ajustes, ou mesmo uma mudança mais radical através de um pivot. Quanto mais vezes você executar esses ciclos, mais chances você tem de encontrar um modelo de negócio sustentável. Sendo assim, quanto mais rápido você executar um ciclo, melhor. Neste caso, na hora de criar o produto, você deve criar um MVP (Minimum Viable Product).

Produto mínimo viável (MVP) é um produto com uma quantidade mínima de funcionalidades. Além disso, devemos fazê-lo da forma mais simples possível e ir evoluindo baseado no feedback dos clientes. Fazendo MVPs, coletando métricas, aprendendo com os resultados e fazendo ajustes para outros ciclos vamos acabar encontrando o modelo de negócios e, afinal, este é o objetivo.

Agora sim, tudo se encaixava. Já entendi o caminho que preciso trilhar. Tenho as ferramentas e preciso meter a mão na massa. O último empurrãozinho que precisava veio neste post:

A mensagem final é que não adianta nada todo esse estudo e continuar de braços cruzados. Não adianta ler esta série e não se mexer. Vamos lá... MÃOS À OBRA! Temos muito a fazer. Boa Sorte!

FIM (do começo)

 

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19May/112

Como criar uma startup: Capítulo 4 – Como transformar uma ideia em um produto

Este é o quarto post da série "Como vou criar uma startup". Para entender e aproveitar melhor, é interessante ler os posts na sequência:

 


Capítulo 4 - Como transformar uma ideia em um produto

No capítulo anterior, criei um método para ter ideias. A aplicação deste método me levou a ter uma ideia para criação de um novo produto. Precisava agora transformá-la em realidade.

Meu primeiro passo foi estudar mais sobre o assunto. Comecei comprando o livro "Founders at Work", de Jessica Livingston. Este livro é uma coletânea de entrevistas com fundadores de empresas de tecnologia. Cada entrevistado conta sua história e suas experiências como empreendedor. Lendo o livro, um padrão me saltou logo aos olhos: quase todos os entrevistados começaram tentando fazer alguma coisa que deu errado antes de encontrarem a coisa que deu certo.

Meditando sobre essas informações, cheguei a conclusão de que a chance de falhar na primeira vez é imensa. Então resolvi mudar o foco do meu novo empreendimento. Vou fazer uma coisa o mais simples possível, falhar logo e APRENDER com essa experiência. Meu objetivo no momento é criar um novo serviço e maximizar o aprendizado para que na próxima tentativa tenha mais chance de dar certo.

Nesse momento, resolvi que antes de me lançar a nova empreitada ia estudar mais sobre o assunto. Comecei a consumir todas as informações que podia sobre startups e novos negócios na internet.

Aqui estão algumas lições que aprendi:

1 - Ser um empreendedor é mais difícil do que parece. A rotina e as emoções de um empreendedor não são as mesmas de um empregado. Tem que descobrir se realmente tem afinidade. Saiba mais sobre as características de um empreendedor aqui:

2 - Está começando? Seja seu próprio investidor. Não procure dinheiro antes de se certificar que você é a pessoa certa para empreender. Veja esses artigos:

3 - Não despreze uma ideia que em princípio pode parecer estúpida sem fazer uma análise mais profunda. O cavalo-de-tróia é um belo exemplo de uma ideia que inicialmente parecia ser completamente imbecil, mas que depois de uma análise mais profunda e uma execução eficiente deu resultado. Um exemplo mais próximo da minha (nossa) realidade é esse:

4 - Foco no negócio. Ter um bom negócio nem sempre implica em ter uma solução técnica sofisticada. Muitas vezes algumas poucas linhas de código dão suporte suficiente para um grande negócio. Como engenheiro, tenho que vencer a tentação de colocar o foco na engenharia. Veja um bom exemplo disso:

  • How we fed ourselves for a year & sold a startup...with only 300 lines of code - http://bit.ly/lk23wD

5 - Como eu decidi que minha primeira ideia ia ser apenas uma cobaia, resolvi que não ia investir dinheiro nela. Como conseguir que os usuários conheçam seu serviço sem gastar dinheiro? Algumas dicas:

6 - SIMPLICIDADE. Não é uma lição nova, mas aplicada a novos negócios, torna-se ainda mais importante. Tem que ser simples de fazer, simples de usar, simples de entender... Cuidado porque é muito mais fácil resolver um problema com uma solução complexa do que com uma solução simples. Um exemplo:

7 - Para ser um sucesso de público, seu serviço deve trazer utilidade ou alegria. Os consumidores são motivados por esses dois fatores. Tudo o que você fizer deve ser analisado por esses dois prismas.

8 - Se não souber por onde começar, faça um clone do threewords.me.

9 - Quando começar? AGORA!!!!!!!!!

Apesar de encontrar muita coisa interessante, ainda estava sentido que não estava preparado, faltava alguma coisa. Foi aí que eu encontrei material sobre Customer Development (Steve Blank) e The Lean Startup (Eric Ries). PRONTO! Agora o quebra-cabeça estava montado. Estava pronto para começar, mas isso já é assunto para o próximo capítulo.

 

 

 

 

continua em: Capítulo 5 - Customer Development e Lean Startup

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13May/110

O que eu não sei sobre startups

Conforme prometido, aqui estão os slides da apresentação que fiz hoje no C.E.S.A.R. Sobre o título, é apenas uma piada uma vez que não considero que eu tenha realmente conhecimento sobre o assunto. Tudo o que eu estou lendo e estudando só vou considerar aprendido quando usar na prática em algum caso real.



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