Inovação se escreve com C. O caso Oracle.
Nunca tive grande simpatia pela Oracle, mesmo assim nunca deixei de reconhecer as qualidades do seu carro chefe, o Oracle Database.
Apesar de gozar da liderança do mercado há décadas com sua solução de banco de dados, como qualquer grande empresa, a Oracle não pode se contentar em ser cantor de uma música só. Através de dezenas de aquisições a empresa entrou em diversos outros setores, mas sempre com foco Entreprise. Com a aquisição da Sun em 2009, a Oracle entrou de cabeça no mercado de Hardware.
As duras penas a Oracle está descobrindo que as margens em hardware são bem menores que no mercado de software, além disso a tendência de Cloud e SAAS (Software as a Service) está fazendo que o mercado de Data Centers (seus principais clientes) fique cada vez mais encolhido e centralizado. Esses fatores evidentemente estão afetando o bottom-line da Oracle.
Após o anúncio de seu decepcionante resultado nesta semana, as ações da Oracle despencaram. 14% em um só dia. Não creio que essa tendência de queda seja passageira. A Oracle é uma empresa que nunca conseguiu se reinventar e continua apoiada apenas em seu único produto de grande sucesso. Inovação para a Oracle é colocar a primeira letra da buzzword do momento ao lado da versão de seu banco de dados, foi assim com o Oracle 8i (i de internet) e Oracle 10g (g de grid). O que fazer? Considerando sua história, o jeito que tem vai ser lançar uma nova versão para seu banco de dados, o Oracle 12c (c de cloud).
Como criar uma startup: Capítulo 2 – Porque precisamos empreender
Este é o segundo post da série "Como vou criar uma startup". Para entender e aproveitar melhor, é interessante ler os posts na sequência:
- Capítulo 1 - A morte de um empreendedor
- Capítulo 2 - Porque precisamos empreender
- Capítulo 3 - De onde vem as ideias?
- Capítulo 4 - Como transformar uma ideia em um produto
- Capítulo 5 - Customer Development e Lean Startup
Capítulo 2 - Porque precisamos empreender
No capítulo anterior eu contei a história de como o fracasso com a minha primeira empresa matou a vontade que tinha dentro de mim de ser um empreendedor. E o que aconteceu depois?
Desde que saí da NetPE construí uma carreira na área de desenvolvimento de software trabalhando em várias tipos de empresas diferentes: softhouses tradicionais, empresas de produtos, pontocom, fábricas de software e institutos de inovação. Todas essas variadas experiências além da minha própria sede por conhecimento e evolução me fizeram um profissional bastante respeitado.
O maior orgulho que eu tenho é de ter conseguido progredir na carreira sem precisar sair da área técnica. Adoro o que faço e se tivesse que me transformar em gerente de projetos para atingir um patamar salarial que eu desejava ia ser muito frustante. Mas agora tudo acabou...
Desde o fim do ano passado eu comecei a sentir que cheguei no fim da linha. Daqui pra frente seria apenas mais do mesmo. Mais consultorias, mais projetos, mais produtos, mas nada de novos desafios. Como aceitar limites? Como reconhecer que não há mais nada de novo a fazer? E pensando nessas coisas, de repente deu um click. Eu estava errado.
Depois de muitos anos acordei o espírito empreendedor que tinha dentro de mim. Como diz o ditado, vingança é um prato que se come frio e a partir daquele momento comecei a me preparar para a revanche. Estava aí o desafio que eu estava procurando.
Depois de todo esse histórico, acho que dá para entender poque estou abraçando este desafio, mas quero ir além. Quero dizer que VOCÊ também precisa empreender. O Brasil já tem funcionários públicos demais e o que precisamos para crescer ainda mais como nação são mais (e melhores) empresas inovadoras.
Se sua ambição for financeira, ser um empreendedor talvez seja a única alternativa para ficar rico. Ter um emprego funciona de maneira semelhante a uma empresa que tem o faturamento atrelado ao custo, ou seja, quando fatura mais, o custo sobe na mesma proporção. O seu custo são as horas trabalhadas a única forma de ganhar mais é trabalhando mais. Com um emprego você não consegue rentabilizar o valor gerado pelo seu trabalho.
Garanto que sendo um empreendedor não vai faltar emoção e aventura na sua vida. Você nunca vai ficar entediado. Não existe segurança mas o importante é que também não existe limites para o sucesso. Quem sabe não vai ser você (ou eu) o criador do próximo Google ou Facebook? Parece impossível? Acredite, NÃO É!
Outra coisa boa é que não falta dinheiro para investir em empresas inovadores. Quase todo dia me deparo com notícias sobre fundos procurando bons negócios para investir, especialmente em nossa área. Infelizmente faltam boas ideias. Mas, como ter boas ideias? De onde vem as ideias?
continua em: Capítulo 3 - De onde vem as ideias?
Para mais informações sobre esses assuntos, siga-me no twitter: @luizborba
Será o Java o novo COBOL?
O projeto Green foi iniciado em 1991 pela Sun com a intenção de criar uma plataforma para desenvolver sistemas embarcados, em especial para set-top boxes da indústria de tv a cabo. Nesta época a internet era menor que uma ameba se compararmos com hoje. A web já existia (foi criada em 91), mas ainda não era notada. Apenas em 94, quando o browser Mosaic foi criado é que a world wide web começou a ser popularizada. O pessoal da Sun não esteve alheio a esse movimento e ainda em 94 redirecionou o projeto para web. Finalmente em 1995 a plataforma Java (rebatizada) foi lançada, já contando com o suporte do principal browser da época, o Netscape.
O Java trouxe uma quantidade imensa de inovações para a indústria de desenvolvimento de software na época: máquina virtual, multi-plataforma ("write once, run everywhere"), garbage collector e em especial a integração com a web através dos applets. Foi como juntar a fome com a vontade de comer. A web começando a bombar no mundo todo e uma plataforma de desenvolvimento inovadora e integrada com essa nova tecnologia.
Identificado como inovação o Java aglutinou o interesse de inúmeros desenvolvedores open source, que com suas criações e o poder de difusão da web, alavancaram em tempo recorde o Java para ser a principal plataforma de desenvolvimento de software do planeta. As grandes empresas não ficaram de fora e com mais alguns investimentos tornaram Java também a principal solução para o mundo enterprise. Curiosamente os applets que foram a ponta de lança para a divulgação da plataforma acabou não tendo sucesso.
A característica multi-plataforma do Java prejudicava diretamente a estratégia da Microsoft, que dependia de máquinas Intel com o sistema operacional Windows. A Microsoft não deixou barato e em 2002 lançou o .NET Framework, que era conceitualmente uma cópia do Java, mas que só rodava no Windows. A partir deste momento, as duas plataformas começaram a disputar uma corrida de inovações para conquistar mais mercado. A cada nova versão, cada plataforma trazia inovações que superavam a outra. Neste processo, a Microsoft acabou por conquistar uma boa fatia do mercado, porém sem desbancar a liderança do Java.
Essa tendência se manteve ao longo dos anos, mas desde 2006 a Sun não lançou mais nenhuma nova versão do Java. Como Java parou no tempo e a a Microsoft com sua política fechada de preservação do Windows não atrai os desenvolvedores open source, a inovação começa a aparecer em outras plataformas como o Ruby (on Rails), Python, Scala, Groovy, Closure, Erlang, etc. Todas essas novidades, são absorvidas rapidamente pelas startups, mas não pelas empresas tradicionais, e portanto o cenário de liderança de Java nesse setor ainda não mudou.
No início do ano passado a Oracle concluiu a aquisição da Sun, e no final de setembro divulgou o roadmap do desenvolvimento do Java dos próximos 2 anos. O resultado foi esperado, o Java vai levar 2 anos para incorporar as novidades apresentadas por essas linguagens. Para quem procura inovação, é um balde de água fria, porém é uma estratégia conservadora e segura para as empresas tradicionais (que são típicos clientes Oracle).
O COBOL durante muitos anos também foi a principal plataforma para desenvolvimento de Enterprise software, mas não conseguiu acompanhar a evolução tecnológica. Hoje COBOL existe apenas no legado. Mas o que aconteceu com COBOL? O que fez ele perder a liderança?
A partir de meados da década de 70, começam a surgir e se popularizar os computadores pessoais. Durante a década de 80 esse fenômeno começa a atingir as empresas, em especial as que não tinham condições de ter um mainframe. COBOL é uma solução forjada para o mainframe, e os microcomputadores demandavam plataformas de desenvolvimento novas, mais adaptadas as suas características. Neste cenário, soluções como o Clipper eram cada vez mais usadas especialmente para pequenas empresas, que não tinham dinheiro para comprar um mainframe. Nenhuma dessas plataformas (como Clipper, Delphi, VB, SQLWindows, etc) conseguiram substituir em larga escala o COBOL nas grandes empresas. Essa substituição maciça em só acontece com a adoção do Java, combinada com o aparecimento do Linux e a evolução do Windows.
O cenário atual parece criar um momento semelhante ao que foi vivido pela revolução da microinformática, mas com algumas diferenças significativas.
A revolução atual é o cloud computing. Java, diferentemente do COBOL na época dos micros, ainda é adequada para soluções cloud, além disso, falta surgir uma plataforma tão disruptiva e confiável quanto foi o Java em seu tempo. A estratégia da Oracle compromete a liderança de Java como uma plataforma inovadora, mas não sua posição para soluções Enterprise. COBOL foi criada no final da década de 50 e levou uns 40 anos para ser desbancada. O domínio de Java não deve durar tanto, mas ainda será uma aposta confiável para sua empresa por vários anos. De quebra, ainda não sabemos quem será seu sucessor. Java é sim o novo COBOL, mas essa é a pergunta errada. A pergunta correta é quem será o novo Java?
Nota do autor: Nunca programei em COBOL, não sou tão velho assim.

