Borba on Software Desenvolvendo Software com Qualidade.

23Dec/110

Inovação se escreve com C. O caso Oracle.

Nunca tive grande simpatia pela Oracle, mesmo assim nunca deixei de reconhecer as qualidades do seu carro chefe, o Oracle Database.

Apesar de gozar da liderança do mercado há décadas com sua solução de banco de dados, como qualquer grande empresa, a Oracle não pode se contentar em ser cantor de uma música só. Através de dezenas de aquisições a empresa entrou em diversos outros setores, mas sempre com foco Entreprise. Com a aquisição da Sun em 2009, a Oracle entrou de cabeça no mercado de Hardware.

As duras penas a Oracle está descobrindo que as margens em hardware são bem menores que no mercado de software, além disso a tendência de Cloud e SAAS (Software as a Service) está fazendo que o mercado de Data Centers (seus principais clientes) fique cada vez mais encolhido e centralizado. Esses fatores evidentemente estão afetando o bottom-line da Oracle.

Após o anúncio de seu decepcionante resultado nesta semana, as ações da Oracle despencaram. 14% em um só dia. Não creio que essa tendência de queda seja passageira. A Oracle é uma empresa que nunca conseguiu se reinventar e continua apoiada apenas em seu único produto de grande sucesso. Inovação para a Oracle é colocar a primeira letra da buzzword do momento ao lado da versão de seu banco de dados, foi assim com o Oracle 8i (i de internet) e Oracle 10g (g de grid). O que fazer? Considerando sua história, o jeito que tem vai ser lançar uma nova versão para seu banco de dados, o Oracle 12c (c de cloud).

2Dec/101

O Browser Morreu?

Finalmente entrei de cabeça no mundo móvel, agora sou proprietário de um iPad e um celular Android (Samsung Galaxy S).  Mesmo usando meus novos brinquedinhos por poucos dias, reforcei uma visão que já estava percebendo: A era de ouro dos browsers web está acabando.

Já faz tempo que a popularização dos celulares pressionou a indústria de software a criar soluções específicas, que atendessem as características particulares dos celulares (telas menores, teclado numérico, limitações de memória, etc). De uma forma geral, especialmente quando falamos de aplicações web, essas limitações poderiam ser identificadas como um subconjunto das características de um computador completo. Sendo assim, as soluções técnicas na web seguiram a linha da simplificação. WML e HTML atendiam perfeitamente a demanda da web no celular, e todos os sites relevantes fizeram versões de suas páginas para celulares utilizando essas tecnologias. Mas aí, a Apple criou o iPhone.

Com o iPhone tudo mudou. Novas características como touch screen e o acelerômetro tornaram inviável a criação de uma interação rica com usuário na web utilizando as tecnologias disponíveis. Era preciso criar aplicações específicas para o iPhone. A última peça do quebra-cabeça foi o App Store, com ele o problema da busca e distribuição das aplicações estava também resolvido. O sucesso de vendas forçou imediatamente a todos os distribuidores de conteúdo a criar suas aplicações iPhone. Este modelo deu tão certo que todos os fabricantes acabaram o seguindo. E depois surge o iPad.

Com a criação do iPad, se popularizou um novo segmento de dispositivos móveis, os tablets. O sucesso do iPhone se repetiu aqui, e como esperado o resto da indústria seguiu o modelo. Só que, mais uma vez, características específicas do iPad, especialmente relacionada ao tamanho fez com que as aplicações criadas para o iPhone não sejam suficientes. É preciso criar versões das suas aplicações para o iPad, e isto está acontecendo. Mas é necessário ter tantos dispositivos diferentes?

Eu acho que sim. Uso prioritariamente o meu notebook para produzir conteúdo (estou escrevendo este post nele), o iPad para consumir conteúdo e o celular para comunicação (através da telefonia celular ou internet). Não abro mão de nenhum. E também não acredito que vá aparecer um dispositivo único capaz de ser tão adequado para todas as essas atividades. Acho que a situação só deve piorar no futuro. Acho que vai aparecer cada vez mais dispositivos com características diferentes (e nem falamos sobre tv digital) que vão exigir softwares específicos para acesso a conteúdo da rede. Acredito que toda essa diversidade vai impedir que exista uma tecnologia única que abrace todos esses conceitos e seja tão universal como o HTML é hoje. Sendo assim, o que é que vai ser da minha vida?

Agora o desafio está lançado. Temos que criar soluções que englobem interfaces para Android, iPads, iPhones, Google TV, Apple TV, HTML, Flex e o diabo a quatro... Temos que nos preparar e investir cada vez mais em qualidade nos softwares que produzimos. Separação da lógica de negócio da apresentação é vital. Investimento em criação de ferramentas que facilite a criação de interfaces tão diferentes é importante. De qualquer forma, isso representa mais trabalho e mais dinheiro. Mas como ficam os browsers web nesse contexto?

Bem, os browsers ainda vão ser muito importantes, especialmente para uso nos computadores. Mas não deve ser a única ferramenta dominante para acesso a conteúdo. E a web como infraestrutura?

MAIS FORTE DO QUE NUNCA!