Essa semana a King anunciou os resultados financeiros para o segundo trimestre de 2014. Os resultados mostram queda de 5% em relação ao trimestre anterior, confirmando a decadência de seu principal produto, o Candy Crush. O mercado reagiu de imediato e as ações caíram 20%. Esse reação do mercado me fez refletir um pouco sobre o mercado de games.

ações da king

A King existe desde 2003, mas só conseguiu ganhar destaque, notoriedade e grande faturamento quando lançou o Candy Crush. Este comportamento não é incomum, na verdade quase todas as grandes empresas funcionam desta forma. A busca pelo grande HIT.

candy crush

A questão é que esses hits passam naturalmente por um ciclo de crescimento e decadência. A galera enjoa. Aconteceu com Farmville, Draw Something, está acontecendo com Candy Crush e vai acontecer com 2048 e Clash of Clans. A solução então é ir esticando a corda para adiar ao máximo a inevitável decadência. A Rovio é exemplar nisso pelo que fez com a franquia Angry Birds, que hoje tem bonecos, roupas, jogos e até desenho animado com a marca. Certamente o faturamento com licenciamento supera em muito o faturamento com o jogo eletrônico. Entretanto, mesmo um sucesso do tamanho do Angry Birds também acaba, e quando acabar, é bom a Rovio já ter lançado algum outro hit, caso contrário vai ser difícil manter a empresa. E o grande problema é justamente esse… não existe fórmula para conseguir o grande hit.

O grande hit é algo mágico. Alguma coisa acontece quando esses jogos atingem o usuário. Algo que não pode ser explicado nem replicado com perfeição. Um bom exemplo disso é o Flappy Bird, um jogo que tinha tudo para ficar no ostracismo mas virou um grande sucesso. Outros exemplos são as tentativas fracassadas da Zynga, OMGPop (depois comprada pela própria Zynga), Supercell, Rovio e King de criar novos jogos de sucesso. O que sobra é a criação de outros jogos com a mesma mecânica do original na tentativa de esticar a corda.

Naturalmente o modelo de negócios dessas empresas (com honrosas exceções) passou a ser conseguir um hit, ganhar visibilidade (e dinheiro) e antes de entrar em decadência, ser vendida ou fazer o IPO. Essa operação remunera os investidores originais, mas deixa em risco os novos investidores. Zynga e agora King são dois exemplos de empresas que estão encrencadas, contando quase simplesmente com a sorte para encontrar um milagroso novo hit, antes que o dinheiro acabe.