linguagens de programação

Fernando Castor, professor do Centro de Informática da UFPE, esteve no CESAR para apresentar a palestra “As próximas cinco linguagens para você aprender… e por quê?”. Gostei muito da palestra, que me deu a oportunidade de refletir sobre 2 posts que tinha escrito há algum tempo.

O primeiro deles é “Aprenda C”, de 2008, onde eu indicava que C deveria ser a primeira linguagem a ser aprendida. A lógica da minha sugestão é que as linguagens são abstrações imperfeitas sobre o funcionamento da máquina. Imperfeitas porque muitas vezes a escolha da melhor solução depende do conhecimento do programador de como aquelas instruções são compiladas ou interpretadas. O aprendizado de C lhe permite obter este tipo de conhecimento, dando uma base de conhecimentos sólidos para ser um bom programador em outras linguagens.

Castor no entanto, indica que Python deveria ser a primeira linguagem a ser aprendida, dada a sua facilidade e simplicidade. A ideia dele é dar os primeiros passos em uma linguagem amigável e fácil de desenvolver os primeiros programas para só então partir para o C. Curiosamente um dos comentários feitos no post dizia o mesmo. Só quero dizer que após refletir sobre esses argumentos, cheguei a conclusão que concordo com ambos. Aprenda Python primeiro, mas não demore para** aprender C também**.

O segundo post é “Será o Java o novo COBOL?”, de 2011, onde eu conto um pouco da história de Java, de como esta linguagem se tornou a mais popular para a criação de aplicações enterprise e como atravessa um período de decadência, em função das raras e decepcionantes novas versões. Por conta disso, comparo com Java com COBOL, que durante cerca de 40 anos foi um padrão para aplicações neste mercado até ser superado por Java e ficar relegado ao legado (um baita legado na verdade).

Em sua apresentação Fernando diz que Java envelheceu mal, mas que não há como desprezar o monte de coisas desenvolvidas nesta plataforma. Segundo ele, precisamos de uma linguagem pós-java, que incorpore novos e modernos recursos, mas que esteja integrada ao ecossistema Java. Ele elege Scala como sendo essa linguagem.

Sobre o evelhecimento do Java, fico imaginando que pode ser efeito comum a toda linguagem que seja dominante para essa categoria de sistemas. Depois de ser utilizada em uma quantidade muito grande de empresas, o compromisso com compatibilidade com o legado e a pressão conservadora do mercado impõe restrições que novos players não tem. Sempre será mais fácil incorporar inovações disruptivas em novas linguagens do que em atualizações de linguagens existentes. Esta situação sempre vai gerar a visão de que a linguagem dominante envelheceu. Aconteceu com COBOL e está acontecendo com Java.

Sobre Scala como sucessor de Java, aí eu tenho minhas dúvidas… Apesar da empolgação da mídia, dos investimentos recentes e até da minha própria animação com Scala, cheguei a conclusão que está ela sendo conduzida de forma muito acadêmica e gerando muita complexidade. Acredito que esta complexidade vai impedir a adoção de Scala nos mercados empresariais, aumentando a vida útil da linguagem Java. Neste caso, continuo acreditando que a linguagem que vai substituir Java ainda não foi inventada, ou pelo menos ainda não foi divulgada propriamente.