Como criar uma startup: Capítulo 1 – A morte de um empreendedor
Este é o primeiro post da série "Como vou criar uma startup". Para entender e aproveitar melhor, é interessante ler os posts na sequência:
- Capítulo 1 - A morte de um empreendedor
- Capítulo 2 - Porque precisamos empreender
- Capítulo 3 - De onde vem as ideias?
- Capítulo 4 - Como transformar uma ideia em um produto
- Capítulo 5 - Customer Development e Lean Startup
Introdução
Começo hoje a publicar uma série de posts sobre empreendedorismo na internet e o que estou fazendo para entrar neste mundo. Espero que estes posts motivem uma discussão construtiva, que ajude todas as pessoas que estão pensando em empreender.
Capítulo 1 - A morte de um empreendedor
Eu ainda estava na universidade quando consegui o meu primeiro emprego como desenvolvedor. Foi em 1991 e eu gostava muito do meu trabalho, mas o que eu queria mesmo era ter minha própria empresa. Obviamente eu nem sabia o que significava ter uma empresa, mas o que me movia nesta direção era a vontade de criar algo importante, de mudar o mundo. Em 1994 eu saí do meu emprego e junto com alguns amigos fundei a minha primeira empresa, a NetPE BBS.
Para quem não sabe, BBS (Bulletin Board System) é um sistema onde os usuários podem se conectar utilizando um modem e ter acesso a vários tipos de serviço como download, upload, forums, chat, jogos, etc. Talvez possa ser visto como uma internet do tempo das cavernas.
O início foi promissor, como quase não tínhamos concorrência, a empresa cresceu muito rapidamente. Chegamos a ser a maior BBS do Norte/Nordeste, com mais de 40 linhas telefônicas (cada linha representava 1 usuário conectado). Imagine só, 40 computadores conectados em um servidor... parece ridículo hoje em dia, mas acredite, naquela época era algo grandioso. Empolgado com o sucesso, cada vez mais eu acreditava de que aquele seria o negócio da minha vida, entretanto, um belo dia tudo mudou. A internet chegou.
Em 95 a internet comercial chegou no Brasil, até então apenas as universidades tinham acesso. De cara várias grandes empresas entraram neste novo negócio. Em Recife a Elógica foi a maior delas. Nessa época a NetPE ia muito bem das pernas, mas o investimento para se tornar um provedor era alto e nós não tivemos condições. De quebra nós ainda recusamos uma proposta de compra pela Elógica (a gente se achava...).
Como era de se esperar, nosso negócio mixou. Levou um bocado de tempo para nos tornarmos um provedor internet e quando finalmente conseguimos, já tínhamos perdido metade de nossos clientes. Mesmo assim, viramos a NetPE Internet.
Com a NetPE Internet voltamos a crescer, mas as margens eram bem mais apertadas do que na época do BBS. Como BBS éramos gigantes, mas como provedor internet éramos nanicos. Para compensar, fazíamos vários serviços na web: jogos, mecanismo de busca, catálogo de médicos, e tantas outras coisas que nem me lembro. Em 96 submetemos ao Softex, em parceria com a Ecossistemas (atual Facilit), um projeto de desenvolvimento de jogos para internet. O projeto foi aprovado.
A idéia do projeto EasyGames (que depois virou Coliseum) era desenvolver jogos simples mas que pudesse ser jogado pela internet. O primeiro desses jogos foi o NetPong (atualização do clássico Pong). Para resumir, vendemos muito pouco e quando dinheiro acabou fomos obrigados a parar.
A situação do provedor não melhorou, mal se pagava e quase não crescia. Em 98 eu desisti. A NetPE continuava funcionando, mas eu decidi não trabalhar mais lá. Fui procurar emprego. Continuei como sócio ainda por um bom tempo até finalmente sair da sociedade. O resultado me deixou muito frustrado. Morreu um empreededor. Aquilo não era para mim. Minha vontade era ser um empregado assalariado... e foi assim até 2011...
continua em: Capítulo 2 - Porque precisamos empreender
Para mais informações sobre esses assuntos, siga-me no twitter: @luizborba


April 13th, 2011 - 14:48
Como nosso guru Silvio Meira ja citava o Wiston Churchill:
“Success is the ability to go from failure to failure without losing your enthusiasm”
Temos que ser persistentes para conseguirmos criar um empreendimento de sucesso.
Alguns acertam na primeira “tacada” outros so conseguem depois de falir várias empresas, mas quando conseguem, geralmente são emprésários altamente compententes.
Criar novos empreendimentos depois de ja ter falido uma ou algumas empresas, torna o empreendedor uma pessoa muito mais experiente e competente. Obviamente se essa pessoa tiver um senso de auto-crítica.
Acho que você, Borba, pelo que contou aqui nesse primeiro capítulo, ja tem uma propabilidade maior de acerta no proximo empreendimento.
April 13th, 2011 - 15:44
Acho que o maior desafio mesmo é adquirir essa “tolerância a falhas”, não só para o empreendedor, mas profissionais de modo geral. Vejo que muita gente estigmatiza alguem que “faliu” um negócio. Nos acostumamos a ler os casos de sucesso de grandes empreendedores e esquecemos que para chegar ali, eles já quebraram algumas vezes.
April 14th, 2011 - 18:05
Concordo com tudo, vencer é muito bom, faz bem para o ego, mas para aprender nada como errar….. já dizia TIM BROW da IDEO “Falhe muitas vezes para ter sucesso mais cedo” … Não temos essa cultura no Brasil, mas no vale do silício ter uma falência no currículo chega a ajudar empreendedores a conseguir investidor…. sem contar que lá vc pode decretar “game over” (falência) e começar o jogo de novo do zero…
April 20th, 2011 - 01:28
Eu fui cliente da NetPe com meu US Robotics 14.400 Kbps:)
April 20th, 2011 - 01:59
hahaha… era o modem topo de linha…
May 13th, 2011 - 11:28
Luiz,
Embora eu não li o restando da série ainda tenho uma estória um pouco parecida com a tua, com o agravante de nunca ter conseguido um empréstimo federal, mas estou vivo há 12 anos.
Parabéns pela iniciativa e pela coragem !, até porque um verdadeiro empreendedor é imortal !